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Vaidade
Premiada
Brasília, 07 de julho de 2002
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Da
Redação do Correio Braziliense - Edilson
Rodrigues
Zelar
por uma boa aparência ajuda a levantar a auto-estima e pode ser tão
importante para impulsionar a carreira quanto um bom currículo
Fátima
Rejeane: perda de peso e cirurgia para redução dos seios a fizeram
recuperar a auto-estima. Hoje, seu bom humor contagia os colega.
Canelas
cortadas ao meio e esticadas com fios de aço e estruturas metálicas.
Os chineses definitivamente não medem esforços para se tornarem
profissionais competitivos. Em terra de baixinhos, submeter-se à
cirurgia que garante alguns centímetros a mais pode ser tão
valioso quanto encher o currículo de cursos de especialização.
Mais comedidos, os brasileiros também se deixam queimar pelas faíscas
da vaidade em busca de uma carreira promissora. Uma bela imagem
refletida no espelho, apontam os especialistas, além de massagear o
ego, transmite segurança ao narciso.
Postura
que pode fazer a diferença durante uma entrevista de emprego e até
mesmo na escolha do funcionário que vai ocupar o novo cargo
gerencial. ‘‘A auto-estima ferida interfere nas relações
sociais. A pessoa fica com medo de se expor. Deixa de acreditar nas
suas potencialidades’’, afirma a psicóloga Eliane Benjamim. A
dentista Rita Trindade conhece muito bem essa história. O que não
faltam na clínica da especialista em estética oral são pacientes
emocionalmente abalados devido a problemas na arcada dentária.
‘‘Tem
alguns que só abrem a boca depois que tranco a porta do consultório.
É incrível como eles ficam retraídos e incapazes de dar um
sorriso’’, relata. A goiana Sandra Rocha Resende é uma delas. Há
25 anos, ela faz de tudo para esconder a boca. Tudo porque a perda
de um dente, aos 17, além de comprometer grande parte de sua arcada
dentária, mexeu profundamente com sua auto-estima. ‘‘Quando
perdi o dente, fiquei um ano sem sorrir. De lá para cá, eu vivo um
pesadelo’’, conta.
Sonho
ruim com os dias contados. Há oito anos desempregada, Sandra
preparou o currículo há duas semanas, assim que começou um
tratamento dentário. Depois de oito tentativas de próteses
malsucedidas, ela tem certeza que está iniciando uma nova fase em
sua vida pessoal e profissional. ‘‘Eu não podia investir em
nada sem resolver o problema do meu dente. Voltei a fazer planos.
Estou nascendo de novo’’, emociona-se.
Apesar
da injeção de ânimo comprometer grande parte da conta bancária,
a consultora Nydia Rocha não tem dúvidas dos benefícios desse
tipo de comportamento. ‘‘Quando a pessoa recorre a intervenções
externas como ponto de apoio para uma mudança que se inicia dentro
dela, o investimento é em segurança, em amor próprio’’,
afirma a representante da Aywa Service.
Diferente
de Sandra, que optou pelo isolamento, a maioria dos profissionais
decide conciliar os problemas de auto-estima com as rotinas
estressantes de trabalho. O resultado não poderia ser mais
desastroso, alerta a consultora. ‘‘Qual chefe vai atribuir um
projeto estratégico da empresa a uma pessoa incapaz de acreditar em
suas habilidades?’’, pergunta.
Os
clientes da loja Portal dos Anjos não passam por esse problema. Além
de incenso, a loja transpira confiança. Também, é impossível
sentir-se mal ao ser recebido pelo largo sorriso de Fátima Rejeane
Paschoal. Há três anos, a simpática comerciante era tida como
mal-humorada pelos colegas. Um distúrbio na tireóide fez com que
ela engordasse 16 quilos. ‘‘Abandonei o emprego de secretária
para ter meus filhos. Quando decidi buscar uma recolocação, estava
tão insegura que assustaria qualquer entrevistador’’, conta.
Antes
de ser tomada pela depressão, Fátima procurou os Vigilantes do
Peso e, no final de 2000, fez uma operação plástica para a redução
dos seios. A auto-estima foi recuperada de tal forma que ela decidiu
se transformar em empresária. ‘‘Até pensei em voltar a ser
secretária, mas estava na hora de investir em algo que parecesse
comigo.’’
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Casamento
ideal
Histórias
parecidas com as de Sandra e Fátima Rejeane comprovam o fim do
ditado de que essência e aparência são tão inconciliáveis
quanto água e óleo. Diretor da Place Consultoria, João Antônio
de Souza alerta que os empresários continuam atrás de currículos
impecáveis. Contudo, quando o autor da preciosidade tem um astral
nas alturas e uma apresentação impecável, ele se torna imbatível.
‘‘Não
basta ser. Um profissional tem que parecer o que está no currículo’’,
sentencia João Antônia. ‘‘Essa postura promove uma empatia
entre as pessoas que influencia tanto nos processos seletivos quanto
no crescimento dentro de uma organização.’’ Consultora da Soma
Desenvolvimento Humano,
Marisa Fiúza acrescenta que os artifícios para melhorar a
auto-estima também interferem no tamanho das redes de contato.
‘‘Como
se abre para todos os tipos de relações, a pessoa passa a
estabelecer contatos que podem ser estratégicos para a carreira que
pretende trilhar’’, afirma. Além de mais conhecido, o
profissional equilibrado passa a encarar o funcionamento do mercado
de trabalho de uma forma mais madura. ‘‘Em vez de se sentir
diminuído porque não ocupa determinado cargo, ele vai dedicar-se
para crescer na empresa de acordo com seus planos de carreira’’,
afirma Nydia Rocha. ‘‘Antes de estar comprometido com o
crescimento da empresa, ele está comprometido com seus sonhos, com
sua felicidade.’’
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