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Secretarias
superpoderosas -
Novo
Perfil
Brasília, 07 de julho de 2002
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Da
Redação do Correio Braziliense - Paulo
de Araújo
Em
vez de babás de executivos, empresas buscam profissionais com
capacidade de filtrar informações dirigidas ao chefe, tomar decisões
e até substituí-lo em reuniões de negócios
Dalila
Piloupas, do instituto Oswaldo Cruz, orgulha-se das sugestões que
faz e são acatadas pelo chefe.
Sorriso
no rosto e disposição para executar uma infinidade de atividades
estritamente técnicas. Há alguns anos, secretária eficiente era
aquela capaz de enviar por fax, no menor tempo possível, um calhamaço
de documentos para a filial de Manaus, servir água e cafezinho aos
participantes da reunião e ainda pagar em dia todas as contas
pessoais do chefe. Hoje, com os avanços da tecnologia, as máquinas
dão conta de quase todo o recado. Mais um caso de profissão
engolida pela tecnologia?
Que
nada! As secretárias reformularam suas atividades e deixaram de ser
‘‘babás de executivo’’ para se transformar em assessoras
gerenciais. Os salários aumentaram e as exigências dos
empregadores também. ‘‘Eles procuram líderes. Já que deixaram
de ser operacionais, as secretárias precisam comportar-se como
agentes de mudança dentro das organizações’’, afirma Heloísa
Marinho, diretora da Eduteconsultoria.
Tarefa
a milhas da simplicidade, alerta a consultora. Se antes a conclusão
do ensino médio era garantia de uma colocação no mercado, em
tempos modernos a lista de pré-requisitos não pára de crescer.
Idiomas, curso de graduação, participação em congressos, domínio
da língua portuguesa, agilidade. ‘‘A atividade deixou de ser um
quebra-galho para se transformar em uma carreira’’, afirma Normélia
Nogueira, presidente do Sindicato das Secretária e Secretários do
Distrito Federal.
Aos
47 anos, quinze deles dedicados à profissão de secretária, a
carioca Dalila Piloupas de Melo faz o que pode para se adequar ao
novo perfil. ‘‘Tenho mais de mil horas de participação em
cursos de capacitação. E, sempre que posso, participo de
congressos e seminários’’, orgulha-se. Dalila entrou no
Instituto Oswaldo Cruz como secretária de um dos 16 departamentos
de pesquisa da instituição. Disposta a nunca mais trabalhar como
vendedora ambulante para sustentar os dois filhos, a carioca mostrou
eficiência e em pouco tempo foi convidada para trabalhar com o
diretor do instituto.
Era
o início de uma carreira vitoriosa. Mesmo sem ter concluído o
ensino médio, Dalila conquistou o cargo de chefe da secretaria
geral do instituto. Desde 1995, supervisiona o trabalho de pelo
menos 50 pessoas, entre office-boys, garçons e secretárias.
‘‘Fui ganhando respeito e aceitação do resto da equipe. Hoje,
chego a sugerir as decisões para meu chefe. E olha que grande parte
delas são acatadas’’, orgulha-se.
Condição
nada incomum dentro das organizações, aponta Heloísa Marinho.
Segundo a consultora, o novo perfil profissional possibilita que as
secretárias interfiram de forma estratégica nos processos
produtivos das empresas nas quais trabalham. ‘‘Elas têm carta
branca para desmarcar encontros, filtram as informações que são
dirigidas aos executivos e chegam até a substituírem os chefes em
reuniões de negócios.’’
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Triagem
rigorosa
Grande
parte dos pedidos que chegam à mesa de Sol Maria Tomich nem passam
perto dos ouvidos do presidente da Rio Tinto Brasil. A secretária
executiva faz uma verdadeira limpa na correspondência. Resolve ela
mesma tudo o que é possível, encaminha outro monte para os setores
responsáveis e repassa ao chefe apenas o que só pode ser decidido
por ele. E olha que os pedidos vêm nos mais diferentes idiomas.
‘‘Meu
chefe é inglês e também recorro com freqüência aos meus
conhecimentos de espanhol’’, conta Sol que também domina o
francês e o italiano. Tamanha eficiência chama a atenção dos
concorrentes. ‘‘Já cheguei a receber uma proposta de emprego
para receber R$ 5 mil. Mas optei pelo espaço que conquistei aqui na
empresa’’, conta.
Segundo
a presidente do Sindicato da Secretárias e Secretários do Distrito
Federal, esse tipo de convite é comum entre as secretárias
executivas bilíngües. ‘‘É uma briga de foice entre essas
profissionais aqui em Brasília’’, conta Normélia. ‘‘Temos
um cadastro com mais de cem secretárias e nenhuma domina mais de um
idioma.’’
Diretora
comercial da Soma
Desenvolvimento Humano,
Marisa Fiúza confirma o relato de Normélia. ‘‘As bilíngües não
ficam desempregadas na cidade. Houve tempo em que, devido à falta
de profissionais, o salário em Brasília era melhor que o de São
Paulo’’, conta. O salário de uma secretária executiva, segundo
a consultora, varia de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil. Mas aquelas que
dominam a língua inglesa recebem de R$ 2 mil a R$ 5 mil.
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