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Risco só nos Números
Brasília, 23 de outubro de 2005

:: Da Redação do Correio Braziliense
Atuários fazem cálculos estatísticos para seguradoras, fundos de pensão, empresas de previdência privada. Em Brasília, onde não há curso, profissionais são bem recebidos.

 

Na ponta do lápis, Lourdes Maria Levy tenta prever riscos todos os dias. Não se trata de cartas ou qualquer outro método de adivinhação. É que ela desempenha uma atividade ainda pouco conhecida. Atuária, Lourdes faz cálculos estatísticos para estimar a ocorrência de doenças, acidentes de trânsito ou de trabalho. Com base nos seus traços, planos de saúde, seguros e empresas de previdência privada estabelecem o valor de uma apólice. A boa nova é que não há muitos atuários no mercado. Já empresas interessadas nesse profissional, existem aos montes.

Quando a agência de seleção Soma Desenvolvimento Humano precisa recrutar atuários para trabalhar em Brasília, por exemplo, a tarefa é árdua. Segundo a sócia-diretora da empresa, Marisa Fiuza, faltam profissionais para atender à demanda da cidade. “As remunerações costumam ser até mais atraentes, pois muitas vezes precisamos contratar gente de outros estados”, diz a consultora. A vice-presidente do grupo Catho, Silvana Case, confirma a tendência: “Profissionais experientes e com inglês fluente acabam escolhendo onde irão trabalhar.”

Se soubesse da alta demanda por atuários, a carioca Lourdes, de 41 anos, não teria transitado por várias áreas antes de aportar nas ciências atuariais. Formada em matemática, ela atuou como analista de sistemas durante quase dez anos. Nesse período, foi cultivando um interesse pelos cálculos de riscos. “A formação multidisciplinar da minha primeira graduação, com presença forte de balanços contábeis e de estatística, já me fazia gostar da área”, diz Lourdes, atuária sênior da Caixa Seguros. “Quando estagiei pela primeira vez no ramo, pude, então, ter certeza da escolha.”

Sorte dela. A carreira de atuário, que começou a ganhar força na década de 90, tem tudo para continuar crescendo. São cada vez mais variados os tipos de planos de seguro oferecidos no mercado, além dos fundos de pensão, que também estão em alta. Coordenador do curso de ciências atuariais da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Corrar observa uma expansão do segmento, já que o país começa agora a assimilar a cultura de previdência privada e seguros. “Com a previdência básica sendo reduzida, é natural que os brasileiros passem a investir em fundos privados”, aposta Corrar.

 

:: Campo Vasto

Há um leque de possibilidades para os atuários. Empresas de seguros, capitalização, previdência complementar, fundos de pensão, plano de saúde, consultorias. Natural de Jundiaí (SP), Patrícia Filipini confessa que não conhecia as ciências atuariais até consultar um guia para estudantes. Hoje, comemora o caráter multidisciplinar da profissão escolhida. “Trabalho na área de produtos, o que foge um pouco da atividade de análise de riscos”, diz a atuária de 34 anos.
Na contramão da demanda, as opções de formação ainda são escassas. Existem apenas 11 cursos de ciências atuariais reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) e mais quatro aguardando aprovação – nenhum em Brasília. A tendência no aumento da oferta de cursos, porém, fez com que o Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), responsável pelo registro dos profissionais, criasse um exame para barrar pessoas inaptas a seguir a carreira.
O IBA conta com 1.600 filiados. Desses, 900 estão ativos. Ou seja, trabalham na área e contribuem com a entidade. O número de profissionais no segmento, segundo Luiz Alberto Albernaz, presidente do IBA, cresce 5% ao ano. “A demanda pelo nosso trabalho, especialmente nos fundos de pensão, tem aumentado. Não é uma área saturada”, explica Albernaz. Para ser atuário, é necessário concluir curso superior. Uma pós-graduação em ciências atuariais não dá o direito de exercer a profissão.

 

:: São Paulo é o destino

Metade dos profissionais registrados no IBA encara o ofício na terra da garoa. São Paulo recebe melhor o atuário porque concentra as matrizes de grandes empresas do país, onde esse tipo de trabalho geralmente é realizado. “Conseguir um emprego na área é fácil, especialmente em São Paulo”, confirma Jacqueline Barbosa, da empresa de consultoria atuarial Strategy.
Se São Paulo é a meca, Brasília não fica muito atrás no quesito oportunidade. Atuários da capital têm um campo fértil nos grandes fundos de pensão e em seguradoras. “A demanda, aliada ao fato de não termos um curso superior na área, faz com que várias pessoas de outros estados migrem para suprir essa lacuna”, revela Albernaz, do IBA. E a remuneração não deixa a desejar. Segundo cálculos do presidente do IBA, o salário inicial fica em torno de R $ 2 mil.

 

 

RAIO-X
Brasília, 23 de outubro de 2005

Profissão:atuário - O que faz: profissional que mede riscos de ocorrência de eventos, como doenças e acidentes, e calcula os valores das reparações financeiras. Por isso, trabalham em seguradoras, entidades abertas e fechadas de previdência complementar, previdência pública, planos de saúde

Salário Inicial: R$ 2.000,000

Onde se formar: Universidade Federal do Ceará, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Fundação de Estudos Sociaisdo Paraná, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro, Universidade Estácio de Sá, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Faculdades Metropolitanas Unidas, Centro Universitário Capital e Universidade de São Paulo.