|
Dê
Adeus à Burocracia - Invista em Simplicidade
Brasília, 03 de novembro de 2002
::
Da
Redação - Correio Braziliense
De
um lado da mesa, o computador de última geração alerta que a
caixa de mensagens eletrônicas está prestes a estourar. Na outra
ponta, pastas abarrotadas de cópias de memorandos, formulários e
projetos que sequer têm espaço nas pautas mais recentes da
instituição. Perdido diante de tanta informação, o funcionário
burocrata. Mesmo empregado em uma empresa privada, ele é capaz de
criar tantos empecilhos nos processos produtivos quanto um servidor
público tradicional, daqueles que se recusam a participar dos
cursos de reciclagem e qualificação profissional oferecidos pelo
governo.
As
conseqüências dessa atitude, aponta Laerte Cordeiros, espalham-se
por todos os níveis da organização. ‘‘Ao mesmo tempo em que
afeta a criatividade das equipes de trabalho, a burocracia gera
custos extras’’, alerta o diretor da consultoria paulista Laerte
Cordeiro e Associados. ‘‘Tudo o que um empresário não quer ver
dentro do balanço da empresa.’’
Para
eliminar o desperdício de talentos e papel, uma atitude que soa fácil:
investir em simplicidade. Antes de gastar uma tonelada de papel e
tinta para imprimir um relatório que está na Internet, avaliar se
não seria mais rápido e econômico salvá-lo em um arquivo no
computador ou copiá-lo num disquete. Sócia-diretora do Insight —
Instituto de Integração Homem-Trabalho, Solange de Castro alerta
que a guerra contra a burocracia só surte efeito quando é
declarada por todos os funcionários da organização.
‘‘Um
documento só passa por tantas mãos dentro da empresa porque
existem dúvidas sobre à eficiência do trabalho do outro’’,
acredita a psicóloga. ‘‘Sempre tem que se tirar mais uma cópia
para uma última revisão.’’ Para Daniella Caminha, da Soma
Desenvolvimento Humano,
o excesso de cópias se agrava devido a falhas na comunicação
interna da organização. Em empresa onde a divisão de tarefas não
é clara entre os funcionários, impera a duplicidade de trabalhos.
‘‘É
o chamado vaivém de papel. Depois que uma tarefa é cumprida,
descobre-se que o verdadeiro responsável pelo setor nem sabe da
existência da ordem.’’ O excesso de mandos, aponta a
consultora, está intimamente ligado à vaidade. Qual chefe recém-empossado
não coça os dedos ao descobrir que pode mudar a forma que sua
equipe trabalha? ‘‘Alguns se rendem às regalias do poder e
acabam emperrando os processos de tomada de decisão’’, ressalta
Daniella.
Para
escapar do emaranhado de regras dos manuais internos, a consultora
aposta no estímulo ao bom senso. ‘‘Se um problema pode ser
resolvido com um simples telefonema, para que escrever um
e-mail?’’, pergunta Daniella. ‘‘Em vez de se
preocupar em criar regras, os empregados devem investir em
simplificação dos processos. Tudo o que é simples, rápido e
barato chama a atenção dos empresários.’’
|