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Imagem
Importa - E muito
Brasília, 29 de dezembro de 2002
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Da
Redação do Correio Braziliense - Daniel Alves
Profissionais
descuidados com figurino, postura corporal e relacionamento com
colegas correm o risco de ficar à deriva na profissão. Por mais
competentes que sejam
Edvalber
Alves: carreira deslanchou depois que ele começou a cuidar mais da
imagem.
Competência,
ninguém duvidava. Ele tinha. O cargo de gerente na multinacional do
ramo alimentício era uma conquista e tanto. Mas estava evidente que
faltava aquele algo mais para compor a imagem de executivo de
sucesso. E para que subisse mais alguns degraus na carreira. Apesar
do posto e de quatro anos de empresa, Edvalber Alves nunca recebia
convite para participar de reuniões importantes. ‘‘Sabia que
tinha potencial para assumir uma diretoria ou superintendência’’,
conta. ‘‘Mas sentia que havia uma resistência em relação a
mim.’’
Só
depois de pedir demissão, ele soube por colegas que havia sido
vetado para várias indicações a cargos importantes por causa da
maneira de se vestir. Desde então, Alves radicalizou. Aposentou a
calça jeans, o tênis. Passou a cortar regularmente o cabelo,
mantendo-o sempre penteado, e deu uma reciclada no guarda-roupa.
‘‘Fiquei impressionado como minha carreira deslanchou facilmente
em outras empresas.’’
Embora
concordem que a competência é o requisito básico, consultores em
recursos humanos dizem que a história de Alves repete-se com mais
freqüência do que se imagina. Não que o profissional tenha de ser
um modelo, estar sempre chiquérrimo e com roupas, sapatos e acessórios
sofisticados. Pelo contrário, discrição é a palavra de ordem no
ambiente de trabalho.
Autora
do teste sobre imagem que publicamos nesta página, a consultora de
moda Silvana Bianchini ressalta que o mais importante é o
profissional ter consciência de que será julgado pelo que veste.
‘‘Os empregadores querem alguém que reflita a imagem de suas
empresas’’, diz. ‘‘Por isso, estão cada vez mais
intolerantes com funcionários mal cuidados, desde a higiene pessoal
até a maneira de se portar, passando inclusive pelas roupas que
vestem.’’
Quanto
ao guarda-roupa, não há uma cartilha com regras universais.
Primeiro, ensina Marisa Fiuza, o profissional deve observar a
cultura da empresa, como colegas e chefes se vestem. Depois,
recomenda a diretora da Soma
Desenvolvimento Humano,
é só usar o bom senso para escolher o estilo de roupa adequado àquele
determinado ambiente.
Mas
a roupa não é a única responsável pela formação da boa imagem
profissional. Tão importante quanto a vestimenta, a linguagem
corporal conta muito. Hoje, aos 40 anos, Alves critica a maneira
como se sentava antes de perceber que a pouca atenção dada à própria
imagem era a pedra que bloqueava sua ascensão profissional.
‘‘Agora tenho consciência de que meu jeito todo desleixado na
cadeira era inadequado, além de desagradável e constrangedor para
quem trabalhava comigo’’, diz. ‘‘Causa a impressão de
comodismo, preguiça e descompromisso.’’
Além
da postura ao sentar, Silvana Bianchini destaca outras atitudes que,
embora pareçam meros detalhes, influenciam muito o desenvolvimento
da carreira de um profissional competente. Entre outras, ela destaca
o tom de voz, que não deve ser alto nem baixo demais; a forma de
andar, evitando-se rebolados; a importância do contato visual, ou
seja, olhar no olho do interlocutor demonstrando segurança; e o
contato físico, como um aperto de mão firme, por exemplo.
Aparentemente
pouco relevantes, diz Silvana, pequenos atos contribuem, e muito,
para a formação de uma imagem agradável no ambiente de trabalho.
‘‘É importante saber ouvir até o final o que os colegas têm a
dizer’’, diz. ‘‘Além de receber bem os visitantes na
empresa, cumprimentar todos os funcionários.’’
Não
se trata de simular algo ou fingir ser de uma determinada maneira.
Na verdade, cuidar da imagem profissional é uma exigência do
mercado e uma forma de melhorar a carreira. No entanto, não adianta
investir no visual esporadicamente ou manter bom relacionamento com
os colegas só de vez em quando. ‘‘A imagem se constrói ao
longo do tempo, gradualmente, e pela sua repetição’’, ensina
Silvana.
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