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Entrevista por Telefone - Ligação Direta com o Emprego
Brasília, 22 de dezembro de 2002

:: Da Equipe do Correio - Daniela Paiva

 

‘‘Trim... trim... trim...’’ Ao atender, o susto. Não, não é aquele amigo convidando para a happy hour no fim da tarde. Do outro lado da linha, a voz identifica-se como um selecionador de candidatos a emprego. Pergunta se pode bater um papo rápido sobre uma vaga. Por telefone mesmo. Se você sofreu para se acostumar com o ‘‘olho no olho’’ e apenas uma mesa a separá-lo do entrevistador, prepare-se para a nova modalidade de avaliação. É cada vez mais comum as empresas recorrerem ao telefone para a primeira etapa do processo seletivo.

‘‘É uma forma de triagem para checar dados e verificar se o perfil está adequado à vaga’’, explica Sylmara Valentine, coordenadora da Manager. Além de funcionar como um primeiro funil, a entrevista por telefone é bastante usada no caso de o candidato morar em outra cidade ou estar temporariamente fora. ‘‘Não há um custo de deslocamento’’, observa Karin Parodi, sócia-diretora da Career Center, empresa paulista de planejamento e gestão de carreira.

Em Brasília, a Soma Desenvolvimento Humano está acostumada a usar o telefone para entrevistar possíveis candidatos a vagas de emprego. ‘‘Em geral, é uma conversa que dura de dez a quinze minutos’’, descreve Daniella Caminha. A consultora da Soma explica que esse tipo de entrevista é superficial e abrange apenas alguns aspectos relativos à vaga e ao currículo. Entretanto, dificilmente o candidato será chamado para uma próxima etapa se não se sair bem nessa conversa.

Algumas dicas dos consultores de recursos humanos podem ajudar bastante o profissional a não cometer gafes nesse contato, correndo o risco de perder a vaga antes até de um encontro ‘‘cara a cara’’. A principal delas é concentrar-se no momento do telefonema. ‘‘Se a pessoa não puder falar, estiver num ambiente barulhento ou ocupada, não deve ter medo de pedir para marcar em outra hora’’, indica Sylmara.

Portanto, procure um lugar calmo, de preferência isolado, para responder às perguntas, seja no banheiro do trabalho, no jardim de casa longe dos filhos ou até em um corredor vazio. ‘‘Toda a atenção tem de estar voltada para o entrevistador’’, ressalta Daniella. Mas jamais deixe a entrevista para o dia seguinte. ‘‘Se a empresa está ligando, é porque tem uma certa urgência.’’

A entrevista por telefone é uma maneira do selecionador não perder tempo com candidatos que não se encaixam na vaga. Portanto, não abuse da paciência da pessoa do outro lado da linha com respostas longas e demoradas. Nem economize demais nas palavras. ‘‘Caso contrário, o entrevistador pode não conseguir arrancar o que precisa’’, alerta Daniella.

‘‘Seja sempre objetivo e assertivo’’, enfatiza Sylmara. Evite, também, entrar em muitos detalhes. Quem deve conduzir a entrevista é a pessoa do outro lado da linha, e não você. Se ela quiser saber mais sobre determinado assunto, perguntará. Os consultores alertam para que o candidato jamais mencione questões salariais nesse momento.

Outro aspecto importante é deixar de lado a ansiedade. Aí, vale até ficar de pé para manter uma postura mais ereta e séria. ‘‘Faça tudo que o deixe mais autoconfiante’’, ensina Karin. Fique atento também às regras de conduta. É fundamental demonstrar educação e formalidade pelo telefone. E nada de gracinhas na secretária eletrônica. ‘‘Até o recado é um dado de como o candidato se comporta na vida profissional’’, alerta Daniella.

Dever de casa obrigatório de qualquer candidato, segundo os consultores, é conhecer bem o próprio currículo. Assim as respostas serão mais seguras e firmes. ‘‘Desperte o interesse para que a pessoa queira conhecê-lo melhor’’, recomenda Sylmara. ‘‘É que pessoalmente as chances são bem maiores.’’

 

Por um Fio - Algumas Dicas que Podem Ajudá-lo a Tirar de Letra a Entrevista por Telefone
Brasília,
22 de dezembro de 2002

 

Marque a entrevista para outra hora se estiver ocupado ou com pessoas ao redor. Procure um lugar calmo e tranqüilo para concentrar-se. Mas cuidado: não agende para o dia seguinte pois a empresa pode acabar perdendo o interesse. Se estiver falando de um telefone fixo, lembre-se de desligar o celular e ficar longe de tudo que possa interrompê-lo.

Evite entrar em detalhes. Cabe ao entrevistador pedir para que você fale mais sobre determinado assunto. E não mencione questão salarial, benefícios, etc. para não criar empecilhos logo no começo do processo seletivo.

Seja flexível. Demonstre interesse e disponibilidade para ocupar a vaga e para uma entrevista pessoalmente. Esse primeiro contato é crucial para não ser descartado.

Jamais responda um sonoro não. Se não souber lidar com um programa de computador, por exemplo, diga que ainda não teve a oportunidade de ter contato com o sistema, mas que aprenderá rapidamente.

Seja objetivo. Esclareça as dúvidas do entrevistador sem abusar de sua paciência. Evite ser prolixo, ou seja, falar horas sobre um tema. Lembre-se de que a entrevista por telefone tem como um dos principais objetivos ganhar tempo para ambas as partes. Mas também não economize demais nas palavras.

Conheça bem o próprio currículo para não ser pego de surpresa pelas perguntas e demonstrar insegurança nas respostas.

Fale com clareza. Vale até ficar de pé e manter uma postura ereta para empostar a voz. Preste bastante atenção no tom, que não deve ser nem muito baixo, nem muito alto. Lembre-se, também, de ser formal e educado. E se tiver um chiclete ou algo na boca, jogue fora!

Fonte: Sylmara Valentine, coordenadora de consultoria da Manager