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Carreira
- Talento Raro no Mercado
Brasília, 30 de junho de 2002
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Da
Equipe do Correio - Daniela Paiva
Empresas
do Distrito Federal esbarram em dificuldades na hora de contratar
gerentes de contas. Profissionais que lidam com vendas a empresas e
a governos chegam a ganhar R$ 10 mil por mês
César
Braga, da GVT, diz que o gerente de contas precisa conhecer bem as
necessidades dos clientes.
As
vagas não são tantas. Mesmo assim, recrutar gerente de contas no
mercado tornou-se um desafio para os caça-talentos. Eles têm suado
a camisa para encontrar profissionais com perfil que reúna
conhecimento técnico e tino comercial. Diretora técnica da Soma
Desenvolvimento Humano,
Daniella Caminha diz que entre as empresas
para as quais a consultoria trabalha há seis vagas para o cargo.
‘‘Sempre nos pedem para preencher pelo menos uma vaga de gerente
de contas por mês’’, destaca.
Um
dos motivos que impulsionaram a busca por esses profissionais foram
as privatizações no setor de telecomunicações e o
desenvolvimento acelerado da tecnologia da informação. ‘‘A
necessidade comercial dessas organizações aumentou muito’’,
explica Daniella. Sócia-diretora do Instituto de Integração
Homem-Trabalho, Solange de Castro afirma que também há uma procura
pelo gerente de contas em outros setores. ‘‘A dificuldade de
encontrar o perfil é em todas as áreas.’’
Na
verdade, o gerente de contas nada mais é do que um vendedor que
lida, geralmente, com clientes de grande porte. Por isso, precisa
adquirir um bom conhecimento técnico sobre o produto da empresa que
representa, além de ter um dom especial de sedução típico dos exímios
comerciantes. Mas encontrar profissionais com essas duas habilidades
não é fácil.
‘‘Ou
você acha pessoas que são muito boas em vendas, mas não entendem
nada do ramo que vão lidar. Ou então encontra engenheiros e
pessoas ligadas à tecnologia de informação que nunca atuaram na
área comercial’’, reclama Daniella. Solange de Castro concorda.
‘‘A área de vendas é vista como quebra-galho, um bico. As
pessoas não investem nela como uma carreira’’, diz.
Como
não há um curso de formação específico para a função, o jeito
é realmente aprender o trabalho na prática. Foi dessa forma que o
engenheiro elétrico Rodrigo Andriazzi, 27 anos, e os economistas César
Braga, 36, e Sylvio Carvalho, 34, tornaram-se gerentes de contas.
Os
três compensaram a falta de profissionalização com cursos de
extensão e experiência em diversos cargos na área comercial das
empresas. E com muita dedicação e sacrifício. Nessas horas, não
existe horário para dormir, feriado ou celular desligado no fim de
semana. Mas depois, é claro, vem a recompensa. A remuneração
geralmente é composta de um salário fixo acrescentado de uma variável
que depende da venda.
‘‘É
fundamental ser simpático, educado e tratar as pessoas da
empresa-cliente muito bem’’, ensina Sylvio, que trabalhou como
gerente de contas da TBA. ‘‘Você deve conquistar a confiança
de todos porque o contrato envolve vários níveis da empresa’’,
destaca. Visitas periódicas, almoços informais, ou até um simples
cafezinho com o cliente no meio da tarde fazem parte da rotina de
Sylvio. ‘‘É preciso desenvolver um relacionamento mais próximo
porque isso é que vai fazer diferença na concorrência.’’
Vedete
dos gerentes de contas, as vendas para o governo são o alvo
predileto de César Braga, que trabalha na GVT. ‘‘O governo é
um bom pagador e o grande filão de Brasília’’, afirma. Aos
interessados em enveredar por esse caminho, ele diz que investir em
cursos sobre as formas de compra do governo, como licitação e pregão,
é requisito básico. ‘‘Também é preciso conhecer muito bem os
produtos oferecidos pela empresa em que você trabalha’’,
ensina.
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